Druuna XDe Serpieri.
Sua famosa criação resultou da mistura de várias mulheres que alimentaram o imaginário ocidental na segunda metade do século XX. Seu rosto, seu corpo e suas histórias são uma mescla de muitas fantasias e de variadas referências da vida real e da ficção, principalmente do cinema.
Druuna nasceu com formas bem definidas, mas, no decorrer dos anos e da abertura cada vez maior nos quadrinhos em relação à censura, suas curvas foram ainda mais redimensionadas e as histórias se tornaram mais picantes. A cada episódio que surgia nas bancas e livrarias, ela dava a impressão de ganhar um pouquinho mais de coxas, bunda e seios. De algum modo, seu autor acompanhou o que se chama de evolução dos tempos quanto à pressão moral nas artes.
Como o período de produção e de lançamento de cada história sempre foi razoavelmente longo, em torno de dois anos, Serpieri pareceu medir os passos de sua ousadia e não deixou de seguir adiante quanto a experimentar a temática sexual em suas muitas possibilidades – assim como Crepax e Manara, tornou-se marcadamente um sadomasoquista com Druuna, numa espécie de obsessão dos artistas italianos pelo prazer a partir do sacrifício físico.
Como logo soube dos limites de tolerância de seus editores nos muitos países mais ou menos liberais onde editou seus quadrinhos – nos mais fechados, sua publicação é ainda algo impensável -, porém, o desenhista procurou não exagerar nas tórridas cenas sexuais que Druuna costumou provocar.
Para atender ao público interessado em desenhos mais picantes, aliás, entre alguns episódios, Serpieri produziu três álbuns de esboços que chamou sugestivamente de "Obssession".
Aqui, uma parte da primeira revista da série, em que o autor conversa com sua obra, em uma tara um tanto quanto voyer, ediçao relançada pelo selo
Heavy Metal. Confiram.
Druuna X 01


